quarta-feira, 26 de novembro de 2008

#54 - O quarto tenor fugiu pro rock


Quem disser que Freddie Mercury é um cantor bastante operístico, dificilmente será criticado. Ainda assim, a despeito do inigualável talento do cantor (inclusive como compositor), é válido perguntar de onde exatamente surge a associação entre seu estilo e a ópera.

Não é possível rotular Freddie Mercury como cantor lírico baseando-se em sua capacidade vocal, que apesar de extraordinária, apresenta em grande parte a roupagem – por vezes lisa, por vezes áspera – do rock. Mas é sim possível colocá-lo neste patamar, se nos detivermos em certos parâmetros claramente notados em suas composições.

Em outras palavras, se a roupagem da voz de Freddie não tem “cara de ópera”, suas músicas muitas vezes estruturam-se na liberdade operística. É exatamente graças à influência da música operística que os maiores sucessos do Queen (compostos por Freddie), são acusados – no bom sentido – de romperem lindamente com as estruturas do rock, tomando rumos inusitados e muitas vezes de cunho narrativo.

Vamos tentar perceber esse aspecto tão significativo de suas músicas, sob dois prismas bem distintos, mas que levam ao mesmo raciocínio:

-Primeiro, a quebra da estrutura convencional rock:
http://www.youtube.com/watch?v=Db65ZsVsLWo&feature=related

-Segundo, numa canção mais convencional, em parceria com a cantora lírica Montserrat Caballé:
http://www.youtube.com/watch?v=mvZGgbF43H8

Bom proveito!

#53 - Casamentos perfeitos, filhos notáveis


Era início da década de 60, e quatro amigos (as garotas Michelle e Cass; e os garotos John e Denny) assistiam televisão. De repente, surge uma entrevista com os lendários motoqueiros Hell’s Angels. As meninas agitam-se com a visão de um belo exemplar masculino encasacado que diz: “Aqui nós chamamos nossas mulheres de ‘mamas’!”. Imediatamente, Michelle e Cass suspiram, dizendo em uníssono o quanto adorariam ser “mamas”.

E a questão foi de pura lógica: se elas seriam “mamas”, restaria a John e Denny serem os “papas”. E assim surgiu o “The Mamas & the Papas”, grupo vocal que criava suas próprias canções, e não bastasse a beleza das mesmas, davam a elas uma dinâmica de vozes que tornou-se marca registrada na história da música.

O “The Mamas & the Papas” foi um dos únicos grupos norte-americanos que conseguiu competir na época, em primeira grandeza, com a “invasão britânica” que dominava as paradas de sucesso (e encabeçada, para se ter uma idéia, pelos Beatles).

Sua maior obra-prima é, sem dúvida, a canção “Califórnia Dreamin’”, exemplo básico e clássico da genialidade com que construíam o jogo das vozes:

http://www.youtube.com/watch?v=dN3GbF9Bx6E

- “Monday, Monday”:
http://www.youtube.com/watch?v=LW7NpsHR3K0

Bom proveito!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

#52 - A voz na Escuridão


Era uma tarde comum na comuna rural de Lajatico, Itália. Num pequeno campo improvisado, alguns garotos jogavam futebol.

A princípio, a meninada torcia o nariz quando o jovenzinho Andrea oferecia-se para jogar. Diziam que ele tinha um problema de nome esquisito, que o fazia enxergar muito mal. Goleiro, nem pensar... Com o tempo haviam se acostumado. Naquele dia, porém, o destino selaria sua sentença... Numa emocionante jogada de ataque, um chute poderoso e certeiro fez a bola atingir a cabeça de Andrea, e ele ficou definitivamente cego.

Talvez aquele que não possa ouvir o que vem de fora, possa ouvir melhor o que vem de dentro, como Beethoven. E se com a visão dá-se o mesmo, talvez tenhamos boa explicação para o excepcional talento que o garoto cego passou a demonstrar em sua emoção e voz.

Andrea Bocelli veio a tornar-se um dos maiores cantores do mundo. Engrossou também, junto do ícone Luciano Pavarotti, a fileira dos gênios que vieram ao mundo numa importante missão: trazer a música das óperas e orquestras para o povo, para as grandes massas. Grandes massas estas extremamente desgastadas pela frivolidade e banalidade que tem condenado a música popular ao posto de trivialidade instantânea.

Muitas foram as canções que fizeram sucesso pela voz de Andrea. Uma delas chama especial atenção, não só por sua beleza em si, mas por conter uma poética homenagem à nossa padecida Terra.

-“Andrea Bocelli – Canto Della Terra”:
http://www.youtube.com/watch?v=kCrWxKoOhH8&feature=related

Bom proveito!

#51 - Três são demais


O jazz não é só um estilo musical refinado, consagrado, mas também é um gênero que tem sua execução aparentemente subordinada sempre a músicos de alto nível técnico e acuidade.

Por que então o jazz é o estilo que tem recebido críticas das mais ácidas, principalmente quanto ao quesito “inovação”? Muitos têm afirmado que o jazz parou no tempo, que sobrevive de antigos temas e que as novas idéias continuam ser afogadas pelas entusiásticas improvisações, em que os músicos mostram sua técnica e quase sempre esquecem do mais importante: a idéia musical.

Fica fácil captar melhor essa idéia de mesmice quando nos deparamos com algo como o “The Bad Plus”. Trata-se de um trio de jazz absolutamente surpreendente, e isto é facilmente notado graças à clara prioridade que o grupo dá à idéia principal de cada música, bem como à estrutura que a rodeia. As viagens solísticas egocêntricas ficam em segundo plano.

O “The Bad Plus” prioriza a música, e não o músico. O resultado é uma sonoridade envolvente, imprevisível, e por incrível que pareça: muito simples.

O trio formou-se em 2000 pelo pianista Ethan Iverson, o baixista Reid Anderson e o baterista Dave King, e é famoso por criar, além das músicas próprias, versões de músicas pop e rock (como Queen, Radiohead, Tears For Fears etc..).

Aí vão três maravilhosas obras originais do “The Bad Plus”:

-“Anthem For the Earnest”:
http://www.youtube.com/watch?v=lb-bJlxXDbs

-“Physical Cities”:
http://www.youtube.com/watch?v=81YcNs82kyA&feature=related

-“Dirty Blondie”:
http://www.youtube.com/watch?v=04g1aFNoBZs&feature=related

Bom proveito!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

#50 - Cellar Door


Em 2001 foi lançado um filme que passou quase em branco pelos circuitos. Por incrível que pareça, ao assisti-lo podemos até sentir no fundo que isto é justificável...

O complexo roteiro é baseado nas teorias de Stephen Hawking e na filosofia de Roberta Sparrow, e o que mais nos excita e desafia nele como espectadores talvez seja a apresentação deste elemento Quântico misturado a um aparente distúrbio psicológico do protagonista (Donnie Darko, que dá o próprio nome do filme). Na verdade, o distúrbio de Donnie é aparentemente discutido como uma espécie de “fenda” que o permite obter contatos com uma outra dimensão.

Na estória, a casa de Donnie é vítima de um misterioso e inexplicável acidente, e a partir dele o rapaz começa a ser estranhamente induzido, pela visão de um homem-coelho feio pra diacho, a executar uma série de “tarefas” que ele próprio não compreende, mas que sente estarem conectadas à necessidade de impedir uma catástrofe. Ele trava, um tanto sem perceber, uma batalha contra o medo da morte ao compreender que precisará entregar sua vida para salvar a quem ama. E não se preocupe quem não assistiu, porque não entreguei nada... A coisa vai exigir muita queima de neurônios, garanto...

Musicalmente falando, o filme sustenta-se muito no som do grupo Tears for Fears, uma perfeita escolha para trazer a nostalgia dos anos 80, a se notar principalmente por esta pequena e arrebatadora cena (que vale dizer, não é um clipe, é no filme exatamente assim), que traça de maneira muito mais interessante do que a mera “narrativa regular” um panorama geral dos personagens que cumprirão papel fundamental na estória:
http://www.youtube.com/watch?v=AXwelEWpPXs

Outra canção do Tears for Fears usada, como tema principal, é a “Mad World”, só que em versão de Gary Jules, mais simples e intimista.

“Gary Jules – Mad World”:
http://www.youtube.com/watch?v=D1Nq086QB1Q

“Tears for Fears – Mad World” (original):
http://www.youtube.com/watch?v=nXuXikfIYHY&feature=related

Bom proveito!

#49 - De boneco e louco todo mundo tem um pouco...


O programa infantil Vila Sésamo estreou na programação brasileira em 1972, e tornou-se lembrança muito cara aos que foram crianças na época. Exaltado até os dias atuais, graças à genialidade de sua estrutura e conteúdo, Vila Sésamo foi a versão nacional de Sesame Street (“Rua Sésamo”) criado nos EUA em 1969 com base em inovadores estudos de educadores. A versão original tornou-se um dos programas mais duradouros da história, com mais de 30 anos initerruptos de produção.

Graças ao programa, uma música bastante despretensiosa criada pelo italiano Piero Umiliani tornou-se extremamente famosa, ao ser apresentada num quadro musical com a hilária coreografia de três peculiares personagens.

Após o sucesso desta primeira versão, outra coreografia, ainda mais hilária, foi apresentada no programa “The Muppet Show”, produção com bonecos que surgiu a partir de Sesame Street, com objetivo de ser mais “variedades” e agradar não apenas crianças. Vamos a ela:

“The Muppet Show - Manah Manah”:
http://www.youtube.com/watch?v=7wMHcpMmV9g

Outra que também vale um click:

“Harry Belafonte & The Muppet - Banana Boat Song”:
http://www.youtube.com/watch?v=Jpg-KIKD5gU&feature=related

Bom proveito!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

#48 - O vento que cresceu a barba


Dependendo das circunstâncias gerais em que o faça, ouvir uma boa música deles é como fazer, no meio de um espasmo de felicidade, uma terrível piada sobre seu melhor amigo; é o encontro com a conclusão sábia de que aquilo foi mais você do que o você cotidiano, sendo este último a versão improvisada de um bom manequim social.

Parece espantoso que muitos dos fãs de Los Hermanos relatem uma sensação de “invasão” quando envolvidos pelas canções do grupo, e falo de “invasão” no sentido injusto mesmo, como a possível sensação de alguém sentado no meio de uma roda onde todos pudessem ler seus pensamentos. Mas não tenho muita certeza de que este resultado seja tão misterioso...

Uma das características mais notáveis na banda é a precisão com que as letras são assentadas sobre a melodia, bem como seu temas e desenvolvimentos. Em suma, ao mesmo tempo em que as letras criadas não interferem na idéia melódica, elas não perdem substância por uma comum priorização de um elemento ou outro: letra e música convergem perfeitamente.

O resultado disso é que a bela musicalidade da banda prepara nosso terreno emocional para a série de panoramas e imagens a que as letras nos submetem, e é para nós impossível deixar de tentar decifrá-las. E é por culpa deste ímpeto pela explicação que muitas vezes empobrecemos algumas das letras do grupo, atribuindo a elas uma pretensa “complexidade poética”.

Alguns já descobriram a beleza que é apreciá-las em seus sentidos mais óbvios e simples, como a maravilhosa “Além do Que Se Vê”, que Marcelo Camelo (letra e música) compôs para sua mãe pintora: http://www.youtube.com/watch?v=P9lvAQdFwyM

O Los Hermanos tem uma trajetória (ainda que recente) bem interessante. Após um álbum de estréia com estilo musical frenético e meloso (até debochado), veio um segundo disco bastante diferente, mais introspectivo e refinado, cujo mote parecia ser mesmo o susto que acomete o folião quando a festa acaba. A primeira música deste álbum dá esta clara idéia, introduzida por um trombone solitário e triste, que parece lamentar-se num salão vazio e abarrotado de sepentina e confete:

“Los Hermanos - Todo Carnaval Tem Seu Fim”:
http://www.youtube.com/watch?v=J16o9bYS-no

"Casa Pré-Fabricada" (versão de Roberta Sá):
Bom proveito!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

#47 - De pai para filho


A vida do músico texano Radney Foster corria relativamente bem. No fim da década de noventa, estava com a carreira estável, prestes a lançar um novo álbum.

Certo dia, uma notícia chegou de sua ex-esposa. Ela o informou de que iria mudar-se para a França, no intuito de estabelecer melhor um novo relacionamento que estava vivenciando. Quanto a este último detalhe, não houve maiores problemas, mas a notícia abalou Radney de forma terrível, já que seu filho com ela, de três anos, teria de ir embora também.

Sem ver uma saída razoável para a situação, Radney compôs uma canção maravilhosa para o menino, dizendo a ele que a ouvisse todas as noites antes de dormir. E dizem que ele ainda o faz até hoje...

A melodia é surpreendente, e a letra demonstra uma extrema sensibilidade de Radney, intercalando o que seria uma oração noturna e muitos personagens do universo infantil. Seu título, “Godspeed”, é uma expressão antiga, uma despedida que deseja boa jornada e prosperidade. Se a traduzíssemos literalmente, poderia ser “na velocidade de Deus”.

“Radney Foster – Godspeed (Sweet Dreams)”:
http://www.youtube.com/watch?v=eos7FbtuTbo

Bom proveito!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

#46 - O Espírito Continua...


Com a licença da liberdade de expressão, e sem receio de contrariar os puritanos, afirmo com plena segurança que o mais belo capítulo da história do Rock Progressivo ainda estava para ser escrito mesmo após seu declínio a partir dos anos 80.

Este capítulo começa em Cuba, no ano de 1993, com um triste acidente. Um jovem chamado James Labrie estava há pouco tempo integrado num trabalho no qual podia se considerar feliz e realizado. Cantor desde os 5 anos de idade, dono de um talento inigualável e timbre único, passara considerável tempo pulando de grupo em grupo sem nenhum sucesso, até que em 91 consegue ser contratado como vocalista da banda Dream Theater, que na época já era respeitada como um dos únicos mantenedores consistentes do rock progressivo. Mas sua felicidade não demorou muito para ser fatalmente abalada. Dois anos depois, numa viagem ao citado país de Fidel, sofreu uma gravíssima intoxicação alimentar que, por incrível que pareça, culminou no rompimento de suas cordas vocais.

Tentando tratar-se com um punhado de especialistas, recebeu de todos a triste notícia de que nada mais podiam fazer. Após um tempo de repouso, o Dream Theater entrou em estúdio para um novo álbum, e contrariando todas as recomendações médicas James decidiu participar, e a muito custo conseguiu gravar com a banda. Sem conseguir ficar longe dos palcos, saiu em turnê, e seu desempenho foi desesperador.

Ao final da turnê, James, extremamente deprimido e prejudicado, decidiu largar a banda. No entanto, seus companheiros recusaram-se a aceitar sua saída, e com o comovente apoio que recebeu de todos, conseguiu algum fôlego para seguir em frente. E eis que os músicos do Dream Theater estavam então preparados para dar à luz seu carimbo na história: o álbum “Scenes From a Memory”, lançado em 1999.

Todo o disco conta a história de um homem que sente-se atormentado sem saber o motivo, até que decide fazer uma regressão de memória. A partir daí, as músicas passam a narrar a descoberta de uma vida passada cujos incidentes marcaram o homem, bem como sua jornada pelo inconsciente a fim de encontrar sua paz de espírito.

A temática da imortalidade da alma, da continuidade da vida após a morte, é tratada de forma memorável durante a trajetória do personagem, e a subordinação disto à musicalidade da banda transforrna a audição num momento transcendente. E tal transcendência não se dá pelas antigas “caleidoscopias sonoras” ou pelas ilusões dos ácidos, mas pelo desafio das harmonias e pelo poder de som do grupo.

Contemplemos os três momentos finais deste trabalho, os trechos mais trágico-operísticos de “Scenes From a Memory”, que culminam, em minha humilde opinião, no encerramento mais belo de todos os melhores álbuns do gênero. E nos emocionemos, também, com a valentia do cantor James Labrie, ainda prejudicado na voz, mas vivo de alma:

-Throught My Words / Fatal Tragedy:
http://www.youtube.com/watch?v=XWuCdV5VWWU&feature=related

-The Spirit Carries On:
http://www.youtube.com/watch?v=avPdOAKl8w4&feature=related

-Finally Free:
http://www.youtube.com/watch?v=DM02oyWWxNY&NR=1

Bom proveito!

#45 - Ótimas Notícias!


Como todo carinha que toca um instrumento, eu também tive uma banda. Ela chamava-se Virthua e durou alguns poucos anos até desfazer-se no tempo.

Na época nosso cantor era Guilherme Rios, e sempre me espantou o talento inigualável que ele tinha, tanto como cantor como na criação de músicas, embora em nossa banda ele fosse muito tímido para mostrá-las.

Depois que a Virthua acabou, muito torci para que ele seguisse adiante, e no fundo sempre achei que alguém com suas características estivesse fadado ao sucesso. Pois bem, poucas coisas dão tanta alegria a alguém como ver um amigo sincero realizar-se.

É com muita felicidade que noticio a participação da banda Líris (cujo vocalista é o dito cujo) hoje (06/08) no Programa do Jô, da rede Globo.

Não tenho dúvidas de que estes rapazes tem tudo para dar um novo fôlego ao rock nacional. Ouçam algumas músicas no link abaixo (recomendo "Simples Assim" e "Vento", minhas preferidas):

www.myspace.com/bandaliris

Muita sorte e inspiração aos nossos amigos Guiba, Vitão, Mike, Peepo e Nico!

terça-feira, 29 de julho de 2008

#44 - Entrevista: o homem das trilhas


O paulistano Américo Sucena viveu grande parte de seus anos entre os cálculos da complexa engenharia e seu amor pela música. Atualmente, aposentado, não só dedica-se ao radialismo, como dá palestras e o mais interessante: é detentor de uma das mais admiráveis coleções de trilhas-sonoras de cinema no país, se não no mundo.

Agora teremos a oportunidade de ler um pouco de sua experiência nesta pequena entrevista, que ele gentilmente cedeu ao blog.

G.B. - A música certamente faz parte do cotidiano de todos nós, desde que nascemos. Ainda assim, poderia nos contar se houve algum momento específico a partir do qual deu-se conta de que ela era parte essencial de sua vida?
A.S. - Sempre tive uma relação forte com música ainda criança. A música orquestral sempre me encantou. Mas a música de cinema uniu a música clássica aos temas mais populares. Depois que os grandes compositores clássicos desapareceram o cinema os trouxe de volta.

G.B. - De onde surgiu esse gosto tão especial pelas trilhas sonoras?
A.S. - Quando eu tinha 9 anos, meu pai desencarnou e algum tempo depois ouvi o tema que Max Steiner compôs para “E o Vento Levou...” (post #41). Eu estava acompanhado de minha mãe que chorava muito ao ouvir aquela música. O “Tema de Tara” é muito bonito e tristonho, e eu soube que meu pai o assobiava quando eles acabaram de assistir ao filme. Aquele tema eu nunca mais esqueci. Muito tempo depois eu soube por minha mãe que meu pai saia dos cinemas e assobiava os temas que gostava. Ele prestava atenção na música enquanto assistia ao filme. Eu faço isso também. Ele me influenciou sem que eu soubesse ou sabia? Não sei. Só sei que gosto também de música de cinema.

G.B. - Sua coleção já chega aos espantosos 1600 CDs, todos originais. Como surgiu a vontade de formá-la?
A.S. - Eu já tinha uma coleção razoável quando, em 1998, sugeri à Rádio Boa Nova que seria interessante fazer um programa de música de cinema. Eles toparam e em 1999 começamos o “Cinemagia”, que está no ar até hoje. De lá para cá achei que poderia compartilhar com as pessoas os CDs que tenho. Então passei a me interessar também pelas (boas) trilhas que surgem a cada novo filme para manter o programa atualizado.

G.B. - Qual foi a primeira trilha que adquiriu?
A.S. - A primeira trilha tem uma história interessante. Sai de casa nas férias de 1983 para comprar um vídeo-cassete para minha família (na época composta por esposa e duas filhas). Quando entrei na loja (Bruno Blois da R. 24 de Maio) não havia nenhum modelo disponível. Já estava de saída quando ouvi pela fresta de uma sala envidraçada para uso dos aficionados por música clássica um tema esquisito com um som sem chiados. De repente o andamento se altera e entra o conhecido tema de “Guerra nas Estrelas” de John Williams. Um som com uma pureza que eu nunca tinha ouvido. Foi o suficiente para eu sair da loja com um tocador de CD mais o disco que naquela época acompanhava o aparelho e, é claro, com o CD do filme “O Retorno do Jedi”. Cheguei em casa e perguntei: “adivinha o que eu comprei!”. Depois da bronca, tive que voltar a uma outra loja e comprar um Vídeo Cassete. Mas “O Retorno do Jedi” foi o meu primeiro CD de filme.

G.B. - Existe algum parâmetro que uma trilha deve ter para fazer parte de sua coleção, ou sai logo comprando de tudo?
A.S. - Hoje, busco comprar trilhas que tenham um tema (pelo menos um) que me agrade, mas também, na condição de colecionador, compro trilhas indicadas a Oscar de Melhor Filme, Melhor Trilha e Melhor Canção.

G.B. - Dentre tantas, alguma trilha tem um significado especial?
A.S. - A Trilha de ET (post #2) me emociona até hoje sempre que vejo o filme. Não há como não gostar. Tenho também uma trilha rara e bonita de um filme ainda mudo: “Ben-Hur” de 1925, do compositor Carl Davis
(http://www.youtube.com/watch?v=zs_2eR7pU5w).

G.B. - Existe alguma obra que sempre quis ter, mas nunca conseguiu encontrar?
A.S. - Algumas trilhas faltam em minha coleção. Uma delas é a do filme “55 Dias em Pequim”
(http://www.youtube.com/watch?v=xvFf5tn1j1o), outra do “Se Meu Apartamento Falasse”. Eu tenho os temas principais dos dois filmes, mas quero ter a trilha toda. Mas não são só essas duas que me faltam, há outras fora de catálogo ou ainda não editadas.

G.B. - Qual é seu compositor favorito?
A.S. - Meu compositor favorito é John Williams. O estilo vibrante e altamente melódico me encantam. Uma trilha que é melódica do começo ao fim é a do filme Sabrina de 1995. Indispensável numa coleção de trilha sonoras. É um dos compositores que mais ‘amarrou’ o tema ao filme. Senão vejamos: Tubarão, Caçadores da Arca Perdida, Guerra nas Estrelas, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, ET – O Extraterrestre, Superman, A Lista de Schindler, e outros mais.

G.B. - Acha que existe algum caminho que seja mais recomendável a quem esteja iniciando-se na apreciação de trilhas sonoras?
A.S. - Trilhas sonoras devem chamar atenção pela boa melodia. É o belo atendendo ao prazer de ouvir algo que nos faça bem. É o belo unido ao que é bom. Ela deve nos transportar sem sairmos do lugar.

G.B. - Já li e ouvi muitos intelectuais (ou pseudo) discutindo a arte sob parâmetros do "Belo", ou da "Beleza". Segundo o que disse sobre o "belo unido ao que é bom", dá-nos a idéia de que a arte (a forma de expressão mais espiritual do ser humano) pode ter seu valor atrelado a um novo e importante aspecto. O que vem a ser este "bom" a que se refere?
A.S. - Sabemos que estamos envoltos por vibrações eletromagnéticas. Tudo vibra e exala suas vibrações na natureza. O cientista japonês Massaro Emoto em seu livro “A Mensagem da Água” nos revela a formação de cristais de gelo, com água de diversas procedências. A influência da boa música é notável para a harmonização dos cristais que se formam. É possível ver o que acontece com a água, antes e depois da harmonização. Como o nosso corpo é composto de 75% de água, somos diretamente harmonizados ou não pela música. Isso para citar apenas uma forma de influência que já é conhecida. É viver e aguardar novas descobertas.

Para aqueles que desejam mergulhar neste fascinante universo da música para cinema, um bom começo é sintonizar Américo Sucena no Cinemagia, quadro diário exibido pela Rádio Boa-Nova (1450 AM), sempre às 12:55 horas. E quase todo o acervo do Cinemagia pode ser facilmente acessado no site www.radioboanova.com.br. Basta clicar em “Rádio Gravado”, escolher um dia e clicar em Cinemagia às 12:55, e deleitar-se com todos os maravilhosos temas apresentados nos últimos anos.

Bom proveito!

#43 - Podem os mestres ter ídolos?

Era verão de 1812. Na estância termal alemã de Toeplitz, dois homens caminhavam de braços dados, muito juntos. Mas assim estavam não pela privacidade da conversa, já que um deles repetia seus assuntos quase sempre em alto e bom som ao ouvido de seu amigo. Falavam animadamente sobre música, poesia, e dividiam seus felizes ideais de revolução, liberdade e igualdade.

Em dado momento, um pequeno comboio de nobres cruza-lhes o caminho. Imediatamente, Goethe solta seu braço do amigo e abre para os ilustres um espaço quase tão grande quanto sua reverência e sorriso. Beethoven olha aquilo com espanto, e sua amizade com Goethe, que mal havia começado, já parte para um inevitável afastamento apático.

Beethoven era leitor das obras de Goethe (mais conhecido por “Fausto”) desde sempre, e diariamente devorava toda a criação do escritor. Sua admiração exacerbada possivelmente devia ter uma razão além do valor literário próprio. O fato é que Goethe costumava dizer abertamente, e com freqüência, que a música era o que movia seu amor pelas palavras, que a música era sua inspiração e a forma de arte perfeita para dar a seus escritos um valor completo e verdadeiro.

Na ocasião do encontro de Beethoven com seu ídolo, o compositor já havia finalizado a música que lhe fora encomendada para uma nova encenação de uma antiga peça de Goethe, chamada “Egmont”. Ser convocado para musicar uma peça de Goethe (ainda mais algo que tratava da luta pela liberdade contra o “invasor”) deixou Beethoven nas nuvens, e o resultado é que a abertura de “Egmont” é executada até os tempos atuais em concertos pelo mundo todo.

Não se sabe o quanto esse período e seus acontecimentos influenciaram o mestre na criação de sua Sétima Sinfonia (composta no ano de seu encontro com Goethe), mas o Segundo Movimento desta – uma das obras mais enigmáticas e perturbadoras do mestre – parece carregar um pequeno fardo da abertura de "Egmont".

-Beethoven – “Abertura de Egmont”:
http://www.youtube.com/watch?v=M1yxWXHLWcY

-Beethoven – “7ª Sinfonia, 2º Movimento” (não pergunte quem é a mulher do vídeo... foi a melhor versão que encontrei):
http://www.youtube.com/watch?v=5V5k0Plh-jY

Bom proveito!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

#42 - Nem sempre há chocolates nas caixas de chocolates


Uma pena branca flutua livre, levada ao sabor da brisa. Um suposto acaso a faz pousar graciosamente nos pés de um aprumado rapaz, sentado no ponto de ônibus. Ele a recolhe e guarda dentro de um livro. Passa, em seguida, a contar sua história para a pessoa que está ao lado.

Assim começa uma das mais singelas e grandiosas obras que o cinema já trouxe ao mundo: a história de Forrest Gump, um americano que, apesar de ter um QI baixíssimo e ser considerado retardado, traz em sua bagagem de vida uma coleção inimaginável de conquistas e aventuras.

O compositor Alan Silvestri - muito conhecido pelo tema de "De Volta Para o Futuro" – (http://www.youtube.com/watch?v=5Lh0fi6KmaA), criou para o personagem Forrest um tema que não indica a ostentação de seus êxitos, ou a perseverança que o levaram a suas vitórias. Estranhamente, o tema musical ligado a ele é simples e inocente. Simples e inocente como a própria alma de Forrest.

Outra música notável da trilha de Silvestri é aquela que envolve o amor de Forrest por Jenny (aos 2:16 no link), amor este que permeia toda a sua vida, e que permanece imutável apesar das constantes diabruras da garota.

O link contém ambas as músicas citadas (em ordem respectiva) e algumas mais:

-"Alan Silvestri - Forrest Gump" (Medley):
http://www.youtube.com/watch?v=FcOt6mfjxeA&feature=related

Bom proveito!

#41 - Não quer entrar para tomar uma xícara de café?


Creio que todos nós perguntamos um dia, ao assistir um desses filmes espetaculares, como há neles músicas tão interessantes, e o principal: como essas músicas se encaixam com tamanha sincronia e perfeição às cenas?

Pode parecer que a trilha sonora para filmes foi algo criado para ser assim, desde sempre, mas não foi. Embora seja verdade que a música tenha feito parte dos filmes antes mesmo da voz humana, ela era (nos seus primórdios) apenas um recurso para realçar situações e emoções primárias. Por exemplo: havia um tema padrão para salientar a chegada do vilão, para fazer rir, para reforçar tristeza, assim por diante.

Qualquer um que conheça um pouco a vida de Max Steiner (1888-1971), sabe que não é exagero algum dizer que ele foi o pai da trilha sonora, em todos os seus melhores aspectos que temos hoje e que tivemos ao longo de tantas décadas.

Steiner foi um gênio da música que não mediu esforços para romper todos os limites vigentes no processo musical cinematográfico. Contratado como chefe do departamento musical do estúdio RKO em 1929, teve ferrenhas brigas com Deus e o mundo para que a trilha sonora ganhasse espaço de legítima contribuição artística nos filmes. Aos poucos suas batalhas foram sendo vencidas, devido é claro à sua sublime criatividade.

Logo, Steiner compôs uma trilha que revolucionou a música para cinema e estabeleceu todos os seus melhores padrões: a primeira versão de King Kong (1931). Esta trilha surpreendeu o meio cinematográfico, pois aparentemente ninguém havia pensado que a música poderia aglutinar-se tão bem às cenas e dar-lhes uma profundidade emocional tão grande, além, é claro, de sincronizar-se à ação das imagens.

Eis aqui uma das cenas mais antológicas da história. Reparem o poder que a música de Max Steiner lhe imprime. Ela faz parte do filme “E o Vento Levou” e praticamente resume qual o papel mais rico da música para cinema, dando substância sobrenatural ao clímax da personagem após uma dramática trajetória de dificuldades:
http://www.youtube.com/watch?v=rgjHuOnwhFA

E o Vento Levou - Tema de Tara:
http://www.youtube.com/watch?v=1KBT4BYjr1I

Seleção de temas de Max Steiner:
http://www.youtube.com/watch?v=03jiCoXaU5Y

Bom proveito!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

#40 - They sure do brazilian music!


Em 1996 foi lançado um álbum especialmente notável, de uma banda brasileira, que canta em inglês e faz sucesso no Japão.

É muito interessante perceber que logo o Angra (para quem muitos torcem o nariz pela opção das letras em inglês) foi um dos grupos de rock que conseguiu englobar elementos de música brasileira em sua sonoridade de um modo objetivo, mantendo tanto a consistência do elemento novo quanto do rock, sem pretensões de mistura que costumam fazer com que alguns rockeiros nada pareçam mais que baiões com guitarra.

Isto ocorreu com o Angra no álbum em questão, chamado “Holy Land”, em que todas as músicas relacionam-se a contar sobre o descobrimento do Brasil, tanto pelo lado europeu quanto pelo lado indígena.

A beleza do disco foi crucial para gravar o Angra como representante absoluto do metal brasileiro, e para botá-los como estrelas de primeira grandeza no já mencionado Japão, atrás apenas de grupos como Guns’ Roses ou U2.

A banda é paulistana, formou-se em 1991 pelo empresário Toninho Pirani, e após drásticas mudanças de formação está atualmente parada. Aí vão algumas de minhas favoritas:

- “Angra – Deep Blue” (album Holy Land):
http://www.youtube.com/watch?v=g051RL2AH6U

- “Angra – Carolina IV” (album Holy Land):
http://www.youtube.com/watch?v=9XCtqvrO_Nk&feature=related

- “Angra – Metal Icarus” (album Fireworks):
http://www.youtube.com/watch?v=lAhEyuA7Smc

Bom proveito!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

#39 - A menina de cabeça fértil


Corria o ano de 1984. Na capital canadense Ottawa, a apreciada cantora folk Lindsay Morgan havia recebido a intrigante visita de uma garotinha de 10 anos, que tencionava vender a ela uma canção de sua autoria. O momento que seria então de inocência e encanto mostrou-se um pouco mais sério, quando de fato Lindsay constatou que a pequena havia criado algo deveras valioso. A música então chamada “Fate Stay With Me” foi comprada por ela, que resolveu também ajudar a menina a buscar uma trajetória nas artes.

Para tanto, fez com que ela gravasse sua canção como um single e o lançasse numa edição limitada por um selo desconhecido. Trabalho feito, embora de proporções mirradas, o single chamou a atenção da MCA, que alguns anos depois assinou contrato com a talentosa garotinha.

Alanis Morissette lançou, então, em 1991, seu primeiro disco oficial, aos 17 anos de idade. O trabalho buscava explorar o carisma dela em faixas pop-dance, e a empreitada teve grande sucesso nas paradas. Buscando dar continuidade aos dividendos, veio o segundo disco, também dançante, mas a explosão anterior já dava sinais de desvanecimento.

Alanis viu-se numa crescente maré de desânimo quanto a seu trabalho. Por um período, a partir de 93, morou sozinha e botou-se numa busca incessante por músicos com quem pudesse trabalhar ou que a ajudassem a encontrar uma forma de expressão que lhe desse mais satisfação. Conhecer então o produtor Glen Ballard pôs fim à busca da moça. Encorajando ferozmente Alanis a expressar suas emoções Glen foi aos poucos ajudando-a a compor o que seria um dos álbuns de rock pop mais vendidos da época: o “Jagged Little Pill”, em que quase cada uma das faixas virou hit.

A partir de então, o estilo musical de Alanis Morissette fixou-se numa crueza maior pelo lado instrumental, e numa linha melódica especialmente dramática. Aí vai uma das minhas favoritas:

-“Alanis Morissette – Joining You”
http://www.youtube.com/watch?v=dKVfo9SnH2E&feature=related

Bom proveito!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

#38 - Requiem para uma Bruxa Doida


Difícil crer que algo assim foi feito em 1939, sem qualquer tecnologia computadorizada. Apenas com talento e criatividade, esta sequência do clássico "O Mágico de Oz" não é apenas uma referência no gênero musical, como também um exemplo de número musical em substituição a uma extensa narrativa. Pura aula de fantasia. Deleitem-se com a maravilhosa Judy Garland (Dorothy) e o povinho pequeno, com canção de Harold Arlen (letra) e Herbert Stothart (música) feita para a cena em que a menina pousa na Terra de Oz matando, sem querer, uma temida bruxa:

“Ding Dong! The Witch Is Dead” (ponham essa janela diminuída ao lado e divirtam-se acompanhando a tradução):
http://www.youtube.com/watch?v=XOEq-ImGWJ0

(Glinda)
Saiam, saiam de onde quer que estejam
E conheçam a jovem dama que caiu de uma estrela
Ela caiu do céu, caiu de muito longe
E “Kansas” ela diz ser o nome da estrela.
(Munchkins)
“Kansas” ela diz ser o nome da estrela.
(Glinda)
Ela traz boas notícias, vocês não ouviram? Quando caiu de Kansas um milagre ocorreu!
(Dorothy)
Na verdade não foi milagre
O que houve foi só isto:
O vento começou a mudar, e a casa a balançar! E de repente as dobradiças começaram a soltar
E então a bruxa, para satisfazer seu desejo
Veio voando em sua vassoura desastrando-se num tombo
(Munchkin homem)
E oh!, o que aconteceu então foi ótimo!
(Munchkins)
A casa começou a balançar, e a cozinha abriu uma fenda
Ela pousou sobre a bruxa doida bem no meio de uma vala
O que não foi uma situação saudável para a bruxa doida.
A casa começou a balançar, e a cozinha abriu uma fenda
Ela pousou sobre a bruxa doida bem no meio de uma vala
O que não foi uma situação saudável para a bruxa doida
Que começou a estrebuchar, e reduziu-se a um mero trapo
Do que antes havia sido uma bruxa doida.
(Munchkin 1)
Nós te agradecemos docemente, por fazer isso tão habilmente
(Munchkin 2)
Você a matou tão completamente
Que nós agradecemos docemente
(Glinda)
Deixemos as adoráveis notícias se espalharem
A bruxa velha e doida finalmente morreu!
(Munchkins)
Ding-dong! A bruxa morreu!
Que velha bruxa? A bruxa doida!
Ding-dong! A bruxa doida morreu!Acordem, seus dorminhocos!
Esfreguem os olhos e saiam da cama!
Acordem! A bruxa doida morreu!
Ela se foi para onde os gnomos vão
Pra baixo! Pra baixo! Pra baixo!
Yo-ho! Vamos nos soltar e cantar e tocar os sinos!
Ding-dong! O feliz canta alto! Canta baixo
Deixem todos saberem! A bruxa doida morreu!
(Prefeito)
Como prefeito da cidade Munchkin
No condado da Terra de Oz
Eu dou-lhe boas-vindas muito majestosamente!
(Juíz)
Mas nós temos de verificar isto legalmente
Pra ver…
(Prefeito)
Pra ver…?
(Juíz)
Se ela…
(Prefeito)
Se ela…?
(Juíz)
Está moralmente, eticamente…
(Munchkin 1)
Espiritualmente, fisicamente…
(Munchkin 2)
Positivamente, absolutamente…
(Munchkin homem)
Inegavelmente e confiavelmente… morta!
(Legista)
Como legista afirmo que a examinei completamente
E ela não está meramente morta
Mas sim muito sinceramente morta!
(Prefeito)
Então este é um dia de independência
Para todos os munchkins e seus descendentes
Deixemos as boas notícias se espalharem
A bruxa velha e doida morreu!

-(E não se pode falar em O Mágico de Oz sem adicionar esta canção):
http://www.youtube.com/watch?v=10w_sEcHlGs&feature=related

Bom proveito!