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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

#73 - Um Compositor Titânico


Normalmente os diretores de filmes, por mais que acreditem num novo trabalho, não tem qualquer certeza de que ele será um sucesso. Isto acontece mesmo com filmes que hoje temos como obras-primas.

Uma delas, bastante premiada e aclamada, foi uma exceção quanto à expectativa de seu diretor. Mel Gibson, já exausto e a poucas semanas de estrear o filme que dirigia e estrelava, tinha convicção de que ali estava algo muito especial. Acontece que ainda havia um importante detalhe a ser adicionado a seu tão querido “filho”: trilha sonora. O receio de Mel Gibson, de que a música não atingisse a sensibilidade e grandeza necessárias a seu filme fez com que ele até especulasse deixar algumas cenas sem música, com receio de que ela as arruinasse. Felizmente, quem assistiu “Coração Valente” (1995) já sabe que esse drama (o do diretor, claro) teve um final mais que feliz.

Contratado para compor a música do filme, o americano James Horner emocionou Mel Gibson a ponto dele afirmar que estava diante de uma das trilhas sonoras mais belas da história. A exemplo disso, basta uma olhada nessa pequena cena: (www.youtube.com/watch?v=YzRx_qUWjOw).
De fato, o filme ganhou cerca de 20 prêmios cinematográficos. Aí vão dois temas completos:

James Horner – “A Gift of a Thistle & The Secret Wedding” (Coração Valente):
http://www.youtube.com/watch?v=Vgw1DqgtI0E&feature=related

Mesmo com trabalhos tão expressivos, James Horner talvez seja o compositor cinematográfico mais criticado e controverso. A maior acusação que os críticos (ou músicos frustrados, talvez...) lhe fazem é o fato dele reutilizar material de suas trilhas anteriores, ou de ser um tanto repetitivo. Sinceramente, não vejo problema num músico copiar a si mesmo, visto que existe, além de tudo, certas dificuldades jurídicas em se processar a si mesmo por plágio...

O maior exemplo da citada reutilização são as duas trilhas a seguir. Repare que ambas são a mesma música, com arranjo levemente adaptado:

James Horner – The Machine Age (Introdução de “O Homem Bicentenário”):
http://www.youtube.com/watch?v=quINm_8HrKg

James Horner – A Kaleidoscope of Mathematics (Uma Mente Brilhante):
http://www.youtube.com/watch?v=mZI3VWSu0nM

A fantástica trilha de abertura do filme “O Homem Bicentenário” chamou muito a atenção do diretor Ron Howard, quando ele dirigia o filme “Uma Mente Brilhante”, achando que a faixa poderia ilustrar o interior da mente do personagem John Nash com a dose perfeita de loucura e beleza. Aliás, a voz feminina que ouvimos nesta versão pertence a Charlotte Church, a mesma garota que participou da canção de abertura da novela Terra Nostra, talvez muitos se lembrem...
Ah, e só para evitar a falta da citação, vale lembrar que sua trilha mais popular talvez seja a do filme "Titanic" (inclusive a canção interpretada por Celine Dion).

Bom proveito!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

#68 - S.O.S. para o Céu

O indivíduo que já conhece uma tal cantora e compositora chamada Issa, sabe que ela é um dos grandes nomes da música que engrossa a fileira dos artistas contrários à soberania e abuso da poderosa indústria fonográfica.

Há poucos anos, Issa adotou a postura de disponibilizar todas as suas músicas para que os interessados pudessem comprá-las pelo preço que lhes desse na telha. Isto não só como forma de viver de sua arte segundo os padrões de seus próprios fãs, mas também como meio de auxiliar a natureza, evitando que suas obras demandassem a produção de toneladas de plástico para serem distribuídas ao mundo.

Esta ideologia, no entanto, não tem longa data na vida de Issa. Este estado de consciência veio-lhe repentinamente, lá pelo início dos anos 90, quando sua carreira musical guinou significativamente para algo mais leve e espiritual.

Alguns dizem que uma música em especial pode ser considerada a perfeita linha divisória entre Issa e Jane Siberry (seu nome verdadeiro). Trata-se da belíssima “Calling All Angels”. Qualquer um que tenha assistido “A Corrente do Bem”, com certeza se lembrará desta canção, já que ela envolve a cena final do filme com uma sensibilidade da qual é impossível sair ileso...

- Jane Siberry (nome atual Issa) – “Calling All Angels”:
http://www.youtube.com/watch?v=7L3UY_xnhw4&feature=related

Bom proveito!

terça-feira, 31 de março de 2009

#67 - Lista Negra / O Vôo da Mamãe Coruja


Falando sobre trilhas sonoras, é muito raro assistirmos a um filme ruim que tenha uma boa música. Isto fica óbvio ao lembrarmos de que a música vem a partir do filme, e não o contrário. Assim, não é exatamente uma coincidência percebermos que quase todos os grandes filmes da história (novos ou antigos), têm também ótimas trilhas sonoras. Aproveitando então a temática da escrita, gostaria de abordar boas músicas a partir dos criadores das estórias que vieram a inspirá-las.

Um dos fatos mais curiosos do meio roteirístico hollywoodiano ocorreu em 1957. Era noite de entrega do Oscar, e um homem assistia à transmissão com a filha pequena. Chegando o momento do prêmio para melhor roteiro original, o vencedor foi um tal e ausente Robert Rich, pelo roteiro de “The Brave One”. A menina, que assistia pela TV com o pai, gritou contente: “Nós vencemos, pai! Vamos buscar o prêmio amanhã! Vamos?”, ao que ele respondeu: “Infelizmente não podemos, querida...”. Este homem era Dalton Trumbo. Seu pseudônimo Robert Rich fora usado como forma de transpor o terrível embargo que ele e outros roteiristas sofreram da indústria quando o governo norte-americano resolveu procurar comunistas dentro do cinema. Após ser colocado numa lista negra, por se recusar a delatar companheiros supostamente comunistas, Dalton passou a ser evitado pelos estúdios e após passar meses numa prisão, foi solto para permanecer numa batalha infrutífera para arrumar trabalho.

Aquele Oscar misterioso, ganho por ele, tornou-se um símbolo no meio cinematográfico, e trouxe à tona uma profunda reflexão sobre a tal Lista Negra. A partir daquele prêmio, alguns profissionais dos grandes estúdios passaram a desafiar os tratados de “embargo” propostos pelo governo, e aos poucos Dalton Trumbo e outros roteiristas puderam voltar a trabalhar.

Um dos primeiros filmes escritos por Trumbo após sua volta oficial ao cinema foi “Exodus”. Este filme gerou uma trilha sonora cujo tema principal é ainda hoje aclamado como um dos mais belos já feitos para a Sétima Arte:

- Ernest Gold – Exodus:
http://www.youtube.com/watch?v=jsmZeo1Tc9A&feature=related

Outra maravilha musical, retrato sonoro vívido e brilhante de um mundo mágico, tem uma origem que não deixa de ser, também, bastante dramática.

Antes de ser publicada, a escritora J.K. Rowling, criadora da série de livros Harry Potter, vivia uma rotina constante entre a luta para sair da miséria e a depressão. Sua melancolia sobre a própria condição e suposta incapacidade chegou ao ponto dela, por alguns meses, acordar de manhã e ficar surpresa com o fato de sua filha pequena ainda estar viva.

Hoje em dia, já consagrada, estima-se que o auxílio de Rowling a causas em defesa das crianças e das mulheres já somem o equivalente a astronômicos 200 milhões de dólares.

Transposta para o cinema, a saga de Harry Potter ganhou uma ambientação musical que já é considerada um clássico, criada por ninguém menos que John Williams. Mestre absoluto em gerar melodias marcantes, John carimbou na série o tema batizado de “Hedwige’s Theme”. A música propõe a leveza e beleza do vôo da coruja branca, e estou quase certo de que o tema tem uma pitada de inspiração em Lago dos Cisnes. Vejamos:

- John Williams – Hedwige’s Theme:
http://www.youtube.com/watch?v=UhL2HRAVKZs

- Tchaikovsky – Lago dos Cisnes:
http://www.youtube.com/watch?v=1ea90L91eZk

Bom proveito!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

#62 - "Sorria", a última mensagem do Vagabundo.


Aqui neste humilde blog já foram retratadas dezenas de obras belíssimas, bem como seus criadores. Alguns deles me são especialmente caros, e ainda assim pude formular algo a respeito deles.

Mas tentar falar qualquer coisa sobre Charlie Chaplin conseguiu me causar, pela primeira vez, uma completa sensação de impotência textual. Diante de tão sublime espírito, as palavras parecem sacrilégio, e se recusam a surgir...

Passo então para o objetivo central deste post, que é a expressão da criatividade musical de Chaplin. Trata-se das canções compostas por ele para o último filme com seu famoso personagem Vagabundo: “Tempos Modernos”.

- “Smile” na voz de Nat King Cole:
http://www.youtube.com/watch?v=5sqLRNVmR44

- “Smile”, versão do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=Ps6ck1ejoAw

- “A Non-Sense Song” (primeira vez que se ouve a voz de Chaplin no cinema):
http://www.youtube.com/watch?v=eZhSvSvMBgU&feature=related


Sorria...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

#59 - Basil - O Bárbaro


Eu aposto com toda segurança: se você perguntar a qualquer fã de RPG ou temas medievais, qual é a trilha sonora favorita dele, o indivíduo que não responder “Conan – O Bárbaro” só o fará por nunca tê-la ouvido.

Esta obra musical antológica foi composta por Basil Poledouris, um grego criado nos EUA entre o som do órgão de sua igreja, alguns pequenos encargos eclesiásticos e aulas de piano.

O que mais impressiona no estilo de Basil é sua capacidade de mergulhar tão fundo, e com tanta propriedade, em aspectos extremamente distintos da música. A trilha de “Conan – O Bárbaro” é um resumo desta sua genialidade, que vai das mais potentes forças telúricas ao mais sublime lirismo.

Sua filmografia (curta para um artista de seu nível) também reflete esse extremismo, já que nela há necessariamente filmes bastante adversos entre si (“Conan” e “Free Willy”, ou “Robocop” e “A Lagoa Azul”).

A seguir vão links para sua obra-prima, algumas de minhas partes favoritas de “Conan – O Bárbaro”. Por último posto um vídeo raríssimo, feito por um espectador: o próprio Basil regendo seu tema mais famoso e recebendo uma das mais longas ovações de sua vida, pouco antes de falecer em 2006.

“Conan, O Bárbaro – Anvil of Crom”:
http://www.youtube.com/watch?v=sHDmXtW9Yx0

“Conan, O Bárbaro – Theology / Civilization”:
http://www.youtube.com/watch?v=Gur7kJythgM&feature=related

“Conan, O Bárbaro – Wifeing”:
http://www.youtube.com/watch?v=4HOauI2KBS0

Basil Poledouris regendo:
http://www.youtube.com/watch?v=NaBBQsRvwkU&feature=related

Bom proveito!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

#55 - A canção de todo mestre


Hoje podemos enumerar diversos filmes que tratam do tema “Mestres & Alunos”. Temos “A Sociedade dos Poetas Mortos”, “Mentes Perigosas”, “Adorável Professor”, “Escritores da Liberdade”, etc...

O que muitos de nós não sabemos, é que este gênero ganhou destaque graças ao filme “Ao Mestre com Carinho”, de 1966, e estrelado por Sidney Poitier, o primeiro ator negro a receber um Oscar de melhor ator principal.

O filme, que já é belíssimo por si, vem adocicado por uma maravilhosa canção, cuja intérprete (Lulu) é mesmo a própria atriz que faz o papel da aluna que canta no final. A letra de “To Sir, With Love” fala sobre uma transição para a maturidade, e da incapacidade de se agradecer aquele que tornou possível esta transição.

A música (composta por Don Black e Marc London, escritor do “The Muppet Show”) alcançou imediatamente o topo das paradas, e até hoje é possível para muitos lembrarem-se de tê-la ouvido em algum lugar... em alguma época...

“Lulu – To Sir, With Love”:
http://www.youtube.com/watch?v=AQztUCuXzKU&feature=related

Bom proveito!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

#50 - Cellar Door


Em 2001 foi lançado um filme que passou quase em branco pelos circuitos. Por incrível que pareça, ao assisti-lo podemos até sentir no fundo que isto é justificável...

O complexo roteiro é baseado nas teorias de Stephen Hawking e na filosofia de Roberta Sparrow, e o que mais nos excita e desafia nele como espectadores talvez seja a apresentação deste elemento Quântico misturado a um aparente distúrbio psicológico do protagonista (Donnie Darko, que dá o próprio nome do filme). Na verdade, o distúrbio de Donnie é aparentemente discutido como uma espécie de “fenda” que o permite obter contatos com uma outra dimensão.

Na estória, a casa de Donnie é vítima de um misterioso e inexplicável acidente, e a partir dele o rapaz começa a ser estranhamente induzido, pela visão de um homem-coelho feio pra diacho, a executar uma série de “tarefas” que ele próprio não compreende, mas que sente estarem conectadas à necessidade de impedir uma catástrofe. Ele trava, um tanto sem perceber, uma batalha contra o medo da morte ao compreender que precisará entregar sua vida para salvar a quem ama. E não se preocupe quem não assistiu, porque não entreguei nada... A coisa vai exigir muita queima de neurônios, garanto...

Musicalmente falando, o filme sustenta-se muito no som do grupo Tears for Fears, uma perfeita escolha para trazer a nostalgia dos anos 80, a se notar principalmente por esta pequena e arrebatadora cena (que vale dizer, não é um clipe, é no filme exatamente assim), que traça de maneira muito mais interessante do que a mera “narrativa regular” um panorama geral dos personagens que cumprirão papel fundamental na estória:
http://www.youtube.com/watch?v=AXwelEWpPXs

Outra canção do Tears for Fears usada, como tema principal, é a “Mad World”, só que em versão de Gary Jules, mais simples e intimista.

“Gary Jules – Mad World”:
http://www.youtube.com/watch?v=D1Nq086QB1Q

“Tears for Fears – Mad World” (original):
http://www.youtube.com/watch?v=nXuXikfIYHY&feature=related

Bom proveito!

#49 - De boneco e louco todo mundo tem um pouco...


O programa infantil Vila Sésamo estreou na programação brasileira em 1972, e tornou-se lembrança muito cara aos que foram crianças na época. Exaltado até os dias atuais, graças à genialidade de sua estrutura e conteúdo, Vila Sésamo foi a versão nacional de Sesame Street (“Rua Sésamo”) criado nos EUA em 1969 com base em inovadores estudos de educadores. A versão original tornou-se um dos programas mais duradouros da história, com mais de 30 anos initerruptos de produção.

Graças ao programa, uma música bastante despretensiosa criada pelo italiano Piero Umiliani tornou-se extremamente famosa, ao ser apresentada num quadro musical com a hilária coreografia de três peculiares personagens.

Após o sucesso desta primeira versão, outra coreografia, ainda mais hilária, foi apresentada no programa “The Muppet Show”, produção com bonecos que surgiu a partir de Sesame Street, com objetivo de ser mais “variedades” e agradar não apenas crianças. Vamos a ela:

“The Muppet Show - Manah Manah”:
http://www.youtube.com/watch?v=7wMHcpMmV9g

Outra que também vale um click:

“Harry Belafonte & The Muppet - Banana Boat Song”:
http://www.youtube.com/watch?v=Jpg-KIKD5gU&feature=related

Bom proveito!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

#42 - Nem sempre há chocolates nas caixas de chocolates


Uma pena branca flutua livre, levada ao sabor da brisa. Um suposto acaso a faz pousar graciosamente nos pés de um aprumado rapaz, sentado no ponto de ônibus. Ele a recolhe e guarda dentro de um livro. Passa, em seguida, a contar sua história para a pessoa que está ao lado.

Assim começa uma das mais singelas e grandiosas obras que o cinema já trouxe ao mundo: a história de Forrest Gump, um americano que, apesar de ter um QI baixíssimo e ser considerado retardado, traz em sua bagagem de vida uma coleção inimaginável de conquistas e aventuras.

O compositor Alan Silvestri - muito conhecido pelo tema de "De Volta Para o Futuro" – (http://www.youtube.com/watch?v=5Lh0fi6KmaA), criou para o personagem Forrest um tema que não indica a ostentação de seus êxitos, ou a perseverança que o levaram a suas vitórias. Estranhamente, o tema musical ligado a ele é simples e inocente. Simples e inocente como a própria alma de Forrest.

Outra música notável da trilha de Silvestri é aquela que envolve o amor de Forrest por Jenny (aos 2:16 no link), amor este que permeia toda a sua vida, e que permanece imutável apesar das constantes diabruras da garota.

O link contém ambas as músicas citadas (em ordem respectiva) e algumas mais:

-"Alan Silvestri - Forrest Gump" (Medley):
http://www.youtube.com/watch?v=FcOt6mfjxeA&feature=related

Bom proveito!

#41 - Não quer entrar para tomar uma xícara de café?


Creio que todos nós perguntamos um dia, ao assistir um desses filmes espetaculares, como há neles músicas tão interessantes, e o principal: como essas músicas se encaixam com tamanha sincronia e perfeição às cenas?

Pode parecer que a trilha sonora para filmes foi algo criado para ser assim, desde sempre, mas não foi. Embora seja verdade que a música tenha feito parte dos filmes antes mesmo da voz humana, ela era (nos seus primórdios) apenas um recurso para realçar situações e emoções primárias. Por exemplo: havia um tema padrão para salientar a chegada do vilão, para fazer rir, para reforçar tristeza, assim por diante.

Qualquer um que conheça um pouco a vida de Max Steiner (1888-1971), sabe que não é exagero algum dizer que ele foi o pai da trilha sonora, em todos os seus melhores aspectos que temos hoje e que tivemos ao longo de tantas décadas.

Steiner foi um gênio da música que não mediu esforços para romper todos os limites vigentes no processo musical cinematográfico. Contratado como chefe do departamento musical do estúdio RKO em 1929, teve ferrenhas brigas com Deus e o mundo para que a trilha sonora ganhasse espaço de legítima contribuição artística nos filmes. Aos poucos suas batalhas foram sendo vencidas, devido é claro à sua sublime criatividade.

Logo, Steiner compôs uma trilha que revolucionou a música para cinema e estabeleceu todos os seus melhores padrões: a primeira versão de King Kong (1931). Esta trilha surpreendeu o meio cinematográfico, pois aparentemente ninguém havia pensado que a música poderia aglutinar-se tão bem às cenas e dar-lhes uma profundidade emocional tão grande, além, é claro, de sincronizar-se à ação das imagens.

Eis aqui uma das cenas mais antológicas da história. Reparem o poder que a música de Max Steiner lhe imprime. Ela faz parte do filme “E o Vento Levou” e praticamente resume qual o papel mais rico da música para cinema, dando substância sobrenatural ao clímax da personagem após uma dramática trajetória de dificuldades:
http://www.youtube.com/watch?v=rgjHuOnwhFA

E o Vento Levou - Tema de Tara:
http://www.youtube.com/watch?v=1KBT4BYjr1I

Seleção de temas de Max Steiner:
http://www.youtube.com/watch?v=03jiCoXaU5Y

Bom proveito!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

#38 - Requiem para uma Bruxa Doida


Difícil crer que algo assim foi feito em 1939, sem qualquer tecnologia computadorizada. Apenas com talento e criatividade, esta sequência do clássico "O Mágico de Oz" não é apenas uma referência no gênero musical, como também um exemplo de número musical em substituição a uma extensa narrativa. Pura aula de fantasia. Deleitem-se com a maravilhosa Judy Garland (Dorothy) e o povinho pequeno, com canção de Harold Arlen (letra) e Herbert Stothart (música) feita para a cena em que a menina pousa na Terra de Oz matando, sem querer, uma temida bruxa:

“Ding Dong! The Witch Is Dead” (ponham essa janela diminuída ao lado e divirtam-se acompanhando a tradução):
http://www.youtube.com/watch?v=XOEq-ImGWJ0

(Glinda)
Saiam, saiam de onde quer que estejam
E conheçam a jovem dama que caiu de uma estrela
Ela caiu do céu, caiu de muito longe
E “Kansas” ela diz ser o nome da estrela.
(Munchkins)
“Kansas” ela diz ser o nome da estrela.
(Glinda)
Ela traz boas notícias, vocês não ouviram? Quando caiu de Kansas um milagre ocorreu!
(Dorothy)
Na verdade não foi milagre
O que houve foi só isto:
O vento começou a mudar, e a casa a balançar! E de repente as dobradiças começaram a soltar
E então a bruxa, para satisfazer seu desejo
Veio voando em sua vassoura desastrando-se num tombo
(Munchkin homem)
E oh!, o que aconteceu então foi ótimo!
(Munchkins)
A casa começou a balançar, e a cozinha abriu uma fenda
Ela pousou sobre a bruxa doida bem no meio de uma vala
O que não foi uma situação saudável para a bruxa doida.
A casa começou a balançar, e a cozinha abriu uma fenda
Ela pousou sobre a bruxa doida bem no meio de uma vala
O que não foi uma situação saudável para a bruxa doida
Que começou a estrebuchar, e reduziu-se a um mero trapo
Do que antes havia sido uma bruxa doida.
(Munchkin 1)
Nós te agradecemos docemente, por fazer isso tão habilmente
(Munchkin 2)
Você a matou tão completamente
Que nós agradecemos docemente
(Glinda)
Deixemos as adoráveis notícias se espalharem
A bruxa velha e doida finalmente morreu!
(Munchkins)
Ding-dong! A bruxa morreu!
Que velha bruxa? A bruxa doida!
Ding-dong! A bruxa doida morreu!Acordem, seus dorminhocos!
Esfreguem os olhos e saiam da cama!
Acordem! A bruxa doida morreu!
Ela se foi para onde os gnomos vão
Pra baixo! Pra baixo! Pra baixo!
Yo-ho! Vamos nos soltar e cantar e tocar os sinos!
Ding-dong! O feliz canta alto! Canta baixo
Deixem todos saberem! A bruxa doida morreu!
(Prefeito)
Como prefeito da cidade Munchkin
No condado da Terra de Oz
Eu dou-lhe boas-vindas muito majestosamente!
(Juíz)
Mas nós temos de verificar isto legalmente
Pra ver…
(Prefeito)
Pra ver…?
(Juíz)
Se ela…
(Prefeito)
Se ela…?
(Juíz)
Está moralmente, eticamente…
(Munchkin 1)
Espiritualmente, fisicamente…
(Munchkin 2)
Positivamente, absolutamente…
(Munchkin homem)
Inegavelmente e confiavelmente… morta!
(Legista)
Como legista afirmo que a examinei completamente
E ela não está meramente morta
Mas sim muito sinceramente morta!
(Prefeito)
Então este é um dia de independência
Para todos os munchkins e seus descendentes
Deixemos as boas notícias se espalharem
A bruxa velha e doida morreu!

-(E não se pode falar em O Mágico de Oz sem adicionar esta canção):
http://www.youtube.com/watch?v=10w_sEcHlGs&feature=related

Bom proveito!

terça-feira, 3 de junho de 2008

#30 - Finalmente, Romance nas Estrelas!


Não há dúvidas de que a trilha sonora da série cinematográfica “Guerra nas Estrelas” foi o que tornou John Williams o nome mais popular do cenário, e teve o feito de trazer a música orquestrada para o cotidiano dos jovens que alienavam-se cada vez mais no rock. Em 1977 o primeiro filme foi lançado, mas ele era, na verdade, a quarta parte de uma saga. As partes 5 e 6 vieram em 1980 e 1983.

Mas não é desta época que quero falar. George Lucas, decidido por lançar as três partes iniciais para fechar sua saga, trouxe ao mundo Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999), Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones (2002) e Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith (2005).

Mas o fato interessante é que esta nova fase de trabalhos teve uma oportunidade pela qual o mestre John Williams sentiu-se muito emocionado e cativado, especificamente para o Episódio II: em nenhum dos quatro filmes produzidos anteriormente havia sequer um tema romântico (ou tema de amor). Em “O Ataque dos Clones”, John comporia uma melodia para ilustrar o amor entre Padmé Amidala e Anakin Skywalker, ambos vivendo um romance proibido, trágico, de que viriam a nascer Luke Skywalker e a princesa Léia. Padmé falece no parto, e Anakin torna-se o antológico vilão Darth Vader.

Para este romance, John Williams compôs o que é, sem dúvida, um dos temas de amor mais cativantes e inspirados de que teremos notícia em muito tempo. Recheado de texturas e facetas, a música “Across The Stars” conduz-nos através de toda uma gama de sensações dramáticas...

... O momento de angústia que parece surgir em 1:39, mas que imediatamente torna-se um sorriso breve... O momento de tensão e ira que parece afogar o tema principal que emerge rarefeito de 2:04 a 2:42, trecho em que vai, pouco a pouco, mutando-se do lirismo para o marcial, dando talvez uma prévia da transformação de Anakin em Darth Vader.

-John Williams - Across The Stars:
http://www.youtube.com/watch?v=mXIpxrDYii8&feature=related

Bom proveito, e pegue o lencinho...

terça-feira, 13 de maio de 2008

#25 - Criatividade superando a falta de Bits


Na segunda metade da década de 80 a febre dos videogames atingia seu auge. A Era dos 8-Bits havia trazido aos lares das pessoas uma ferramenta de entretenimento muito mais atrativa em questões de complexidade interativa e gráfica dos jogos.

Mas um outro detalhe ganhou espaço essencial na criação dos games, já que a possibilidade polifônica também havia atingido a nova tecnologia: a música. O Japão reinou absoluto (e receio não estar exagerando) nesta área, com o surgimento de compositores de extremo talento e apaixonados pela nova possibilidade.

A estes músicos, porém, não bastava ter criatividade. Era necessário também que conseguissem subordinar certa parte de seu pensamento musical às possibilidades da tecnologia 8-Bits, para conseguir o melhor resultado possível a despeito das grandes limitações sonoras.

Ouviremos a seguir algumas das músicas que ganharam o coração de milhões na época, através das séries de jogos para Nintendo "Zelda" e "Mega Man". Se eles estão rankeados entre as 10 séries de games mais geniais da história, suas trilhas sonoras vão ainda mais longe em adoração, perdendo somente para o antológico tema de "Super Mario Bros." (que, a propósito, é de Koji Kondo, mesmo compositor de "Zelda").

São melodias heróicas, alegres, que jogam o ânimo para cima. Hoje em dia, infelizmente, as crianças e jovens são bombardeados com jogos cujas imagens grotescas, monstruosas e sangrentas são acompanhadas por trilhas também obscuras e grotescas. Não é o teor da crítica elas serem assim. É só uma pontuação para que se note o quanto as músicas daquela época refletiam a verdadeira pureza, fantasia e inocência da infância e juventude. Atualmente perde-se tudo isso cedo demais.

Para aqueles que não vivenciaram esta época, é só imaginarem estar ouvindo um belo ringtone de celular! Vamos aos temas:

Mega Man 3 - Introdução (de Yasuaki Fugita - 1990)
http://www.youtube.com/watch?v=TiQgYfyUdDs

Mega Man 2 - Flash Man (de Manami Matsumae - 1989)
http://www.youtube.com/watch?v=fsW3oYwD2oM

Mega Man 3 - Magnet Man (de Yasuaki Fugita - 1990)
http://www.youtube.com/watch?v=h92upxAitdk&feature=related

Mega Man 5 - Stone Man (de Yasuaki Fugita - 1992)
http://www.youtube.com/watch?v=TOzdjR91wag

Mega Man 6 - Blizzard Man (de Yasuaki Fugita - 1993)
http://www.youtube.com/watch?v=dQKiHZVLFAk

Mega Man 2 - Metal Man (de Manami Matsumae - 1989)
http://www.youtube.com/watch?v=si8HiBgcg_U

Zelda - Introdução (de Koji Kondo - 1986)
http://www.youtube.com/watch?v=v7aN5wPdNFU


Bom proveito!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

#24 - Amores Vêns, Amores Vãos...


E Otto Preminger com certeza devia ter pensado: “esse homem acha que sabe mais sobre o filme do que eu?!”

Ele dirigia, em 1944, o filme noir “Laura”, e já vinha sofrendo diversos palpites do mestre compositor David Raksin (1912 – 2004). O principal deles havia sido a respeito de uma cena que o diretor Otto encurtara, por achar longa. Nela, o protagonista, um detetive que investiga o suposto assassinato de uma belíssima e rica mulher, entra no apartamento desta, e passa a caminhar e observar todos os cômodos, até deter-se aparvalhado, diante de seu retrato.

O compositor Raksin chamou a atenção de Otto para o peso psicológico da cena, imprescindível para estabelecer na mente de todos o conflito de um homem apaixonando-se perdidamente por uma mulher supostamente morta. Na verdade Laura aparece viva logo em seguida, mas Raksin percebeu que a fotografia do filme (único Oscar que a obra levou) causava-lhe uma grave impressão de ilusão, que o levava a questionar constantemente sua razão quanto à real existência daquela mulher, durante todo o filme. Otto acatou o conselho, e sua indicação ao Oscar veio.

Ainda assim, durante o processo, outro impasse surgia quanto à trilha sonora do filme. Otto desejava utilizar como tema uma canção famosa chamada “Sophisticated Lady”. Raksin novamente meteu seu glorioso bedelho, perguntando a Otto que conexão ele via entre a personagem Laura e aquela canção. Como resposta, Otto apenas disse: “Bolas... se é assim, então me apareça até segunda-feira com algo melhor! Senão eu uso esta mesmo!”. Era sexta-feira.

É aqui, então, que ocorre um dos mais tocantes fatos da história da música para cinema. Raksin passou a sexta e o sábado compondo diversos temas, sem satisfazer-se com nada. Decidindo relaxar por um momento, saiu para um breve passeio no domingo, e ao chegar em casa, deparou-se com uma carta de sua esposa, e no envelope: “Dear David”. Pegou a carta e guardou-a no bolso, indo direto ao piano, afinal tinha muito trabalho pela frente. Ainda assim, seu bloqueio criativo frustrou-o por vários minutos.

Em dado momento, Raksin decide fazer algo que costumava ajuda-lo em momentos assim. Gostava de colocar diante de si uma foto bonita, ou um poema, para deixar a mente vagar e assim a criatividade surgir. Lembrou-se da carta de sua esposa, e animou-se. Pegou-a do bolso e abriu. Ao ler, tomou um choque: sua esposa o estava deixando. Estranhamente, como que por uma agoniosa mágica, a primeira coisa que ele fez foi pôr a carta diante de si e tocar os primeiros acordes que viriam a tornar-se uma das canções cinematográficas mais belas e regravadas:

David Raksin – Laura:
http://www.youtube.com/watch?v=Baj5Q7H5q6s

Nesta versão, ela é interpretada por Carly Simon, cantora de altíssimo reconhecimento internacional, cuja ligação com o sentimento de Raksin relacionado à criação de “Laura” pode ser especial, já que o florescimento de sua carreira envolveu uma separação dolorosa relacionada a casamento (o de sua irmã, com quem formava uma dupla), que seu primeiro álbum solo trata sobre casamento, e que o seu próprio com o grande gênio folk James Taylor não perdurou.

Aproveito, então, para linkar uma música de Carly, do álbum homônimo de 1987. A música é uma surpresa, já que o aparente pop romântico ganha boas caras por tratar de esperança e de família, numa temática que diz mais ou menos: ainda que tudo sempre mude, se você estiver disposto a jogar o jogo, as coisas boas sempre encontrarão um modo de voltar.

Carly Simon – Coming Around Again:
http://www.youtube.com/watch?v=AZ_X4DeEcKk


Bom proveito!

(E créditos do título do post à poetiza Mariana Campos)

terça-feira, 6 de maio de 2008

#22 - Um Conto das fadas emo de Tim


Chegara o ano de 1990, e uma dupla inseparável havia ganho imenso prestígio no mundo cinematográfico, após seus trabalhos com “Bettlejuice” (Os Fantasmas se Divertem, 1988) e “Batman” (1989). O diretor Tim Burton e o compositor Danny Elfman haviam consolidado, com estes dois (até então) últimos trabalhos uma parceria bastante eficaz, geradora de um conteúdo estilístico que veio a ser a marca registrada dos filmes de Tim: a operística em preto e branco, clima de mistério e muitas olheiras.

Mas em 1990 foi lançado o filme que seria, por muitos, considerado a obra-prima do diretor. Tratava-se de “Edward Scissorhands” (Edward Mãos-de-Tesoura), uma fábula criada pelo próprio Tim, em que um cientista amalucado desenvolve um rapaz. Numa tragédia, o cientista morre sem dar a ele um último detalhe: mãos humanas. A solitária criatura, então, é descoberta acidentalmente por uma vendedora de cosméticos, que encantada e compadecida, decide leva-lo daquela mansão abandonada para morar com sua família.

O compositor da trilha, Danny Elfman, apesar de já portar na época boa experiência com grandes filmes, diz que só sentiu que poderia ser chamado de “compositor de trilhas” após ter trabalhado neste filme, que afirmou ser ter sido mais difícil que “Batman” (http://www.youtube.com/watch?v=X4ydxgekFls&feature=related), trabalho que o havia esgotado.

Em Edward Mãos-de-Tesoura Danny compôs, entre tudo, dois temas que são principais no filme. O primeiro tema escolhido chamava-se inicialmente “Edward’s Theme”, uma música profunda e extremamente sensível. Apaixonando-se de imediato por ela, Tim Burton disse ao compositor Danny que iria usa-la também na seqüência de abertura do filme. Apesar da grande empolgação de Tim, Danny não gostou da idéia, porque gostaria de usar a melodia aos poucos, conforme o mundo emocional do personagem Edward fosse crescendo e se aprofundando. Para a seqüência de abertura, cuja tônica parecia “mecanização”, Danny compôs algo que realçasse esta maquinação, imprimindo sua costumeira aura de mistério, adicionando também uma pitada de inocência.

A idéia de Danny fez muito sentido para o diretor, e assim desenvolveu-se a trilha. O tema relativo ao universo sentimental da criatura Edward passou a chamar-se “Ice Dance” (dança no gelo), e ganha força numa cena das mais belas e singelas de toda a obra de Tim, em que a personagem Kim (interpretada por Winona Ryder) dança sob uma chuva de neve, criada enquanto Edward molda, com suas mãos de tesoura, uma gigantesca escultura num bloco de gelo.

Links:

- Abertura:
http://www.youtube.com/watch?v=fNaoFNjZJ_w

- Ice Dance:

sexta-feira, 25 de abril de 2008

#20 - As Belas Feras


Era praticamente impossível sair ileso à seqüência de abertura da animação “A Bela e a Fera”, da Disney. E as discussões a respeito de tamanha mágica inquiriam a narrativa, a beleza das imagens, mas as conclusões sempre acabavam caindo, em especial, na música que percorre a cena. O que poucos sabem (méritos à parte ao veteraníssimo compositor Alan Menken) é que o real responsável pela composição da música em questão é um mestre francês, já falecido desde 1921.

A obra utilizada na abertura de “A Bela e a Fera” é uma das partes da suíte “Carnaval dos Animais”, de Camille Saint-Saëns. A diferença consiste apenas numa aceleração do desenho melódico principal, e a não utilização de algumas variações da original. A parte em questão chama-se “Aquarium”, uma pequena obra-prima de impressionante mistério e encantamento.

Camille Saint-Saëns foi bastante criticado pelos eruditos de sua época, já que muitas de suas obras eram consideradas simplórias e de fácil execução. A verdade é que Camille era mais um “excitado” do que um “sentimental”. Ao compor, buscava texturas, cores e mágica, através do inusitado resultante da expressividade, e não da erudição.

Posto também a parte mais famosa de “Carnaval dos Animais”, chamada “O Cisne” (talvez a melodia mais conhecida de Saint-Saëns).

Links:

-Aquarium:
http://www.youtube.com/watch?v=AsD0FDLOKGA

-O Cisne:
http://www.youtube.com/watch?v=8VxmaZFms_E&feature=related

-Abertura de “A Bela e a Fera”:
http://www.youtube.com/watch?v=i9i3xWTEKIk&feature=related

Bom proveito!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

#18 - Dó-Ré-Mi (ou com quantas notas se faz um clássico)


Um trem cortava a noite, indo do vilarejo de Tyrol (Áustria) para Viena. Dentro dele, uma mulher grávida estava dando à luz uma menina que não pôde esperar mais para chegar ao mundo. Era Janeiro de 1905, e assim nasceu Maria Kutschera, que sete anos adiante tornaria-se órfã, e já adulta, noviça e professora de canto, casaria-se com o viúvo Georg Ritter von Trapp tornando-se madrasta de seus sete filhos.

A partir daí teve início a história do grupo vocal Trapp Family Choir, que não só tornou-se um livro, mas também um musical da Broadway, estreando em 1959 com absoluto sucesso. Poucos anos depois, a empreitada transformaria-se num dos maiores clássicos da história do cinema, em “A Noviça Rebelde” (“The Sound of Music”). O filme trouxe as antológicas canções criadas pela veterana dupla Richard Rodgers (música) e Oscar Hammerstein II (letra).

Entre os diversos números musicais do filme, alguns ganharam ainda maior fama, sendo executados exaustivamente nas rádios do mundo todo, como a canção “Do-Re-Mi”. Nesta, Rodgers consegue, com uma simplicidade absurda – utilizando somente as sete notas básicas – compor uma melodia que em certo ponto parece uma orquestra com dezenas de elementos. Ela é executada na cena em que a noviça tenta ensinar as sete crianças a cantar, e o que começa como uma simples lição de “dó-ré-mi” vai aos poucos tornando-se um número musical de tirar o fôlego.

O filme foi premiado com os Oscars de: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Montagem, Melhor Som e (claro) Melhor Trilha Sonora.

Além de linkar a canção “Do-re-mi”, trago também “My Favourite Things”, uma belíssima criação para a cena em que a cama da noviça é invadida por um exército de crianças amedrontadas com os trovões.

Links:

“Do-Re-Mi”
http://www.youtube.com/watch?v=Wc99NJn_Pj4

“My Favourite Things”
http://www.youtube.com/watch?v=sRewk6dQozA&feature=related

Bom proveito!


DO-RE-MI (A letra está parcialmente traduzida, e com esclarecimentos que julguei interessantes pra se entender a lógica da canção):

“Vamos começar bem do início
Um bom lugar pra se começar
Quando você lê começa por:
‘A-B-C’
Quando canta você começa por do-re-mi
‘Dó-ré-mi’
Dó-ré-mi
As primeiras notas acontecem assim:
Dó-ré-mi
‘Dó-ré-mi’
Dó-ré-mi-fá-sol-lá-si...

- Ah… deixa eu ver se consigo facilitar:
Doe, a deer, a female deer ("do" pronuncia-se como “doe”, e refere-se a um cervo fêmea)
Ray, a drop of golden sun (“re” se pronuncia como “ray”, que significa raio, uma gota do sol dourado)
Me, a name I call myself (“me” é o mesmo que “eu”, “o nome pelo qual me chamo”)
Far, a long long way to run (“fá” soa parecido com “far” que significa “longe”, uma grande distância a percorrer)
Sew, a needle pulling thread (“so” pronuncia-se como “sew”, referindo-se ao ato de costurar com agulha e linha)
La, a note to follow sew (“la” é apenas referida como a nota que segue “sol”)
Tea, I drink with jam and bread (“ti”, a nota “si”, pronuncia-se como “tea” que é chá, e o verso fala em chá com pão e geléia)
That will bring us back to do... (e em seguida volta-se ao “dó”)."

quinta-feira, 3 de abril de 2008

#15 - "Que puxa..."


Encantado pelas geniais e filosóficas tirinhas de “Peanuts” (escritas e desenhadas pelo artista norte-americano Charles Schulz) o produtor Lee Mendelson via-se diante de uma preocupante reflexão. Não tinha qualquer idéia do que deveria ser a ambientação musical de um documentário que estava criando.

Este documentário chamaria-se “A Boy Named Charlie Brown”, e falaria sobre o pior jogador de beisebol de toda a história (Charlie Brown, é claro).

Certo dia, estando dentro de um taxi, Lee Mendelson ouviu no rádio um maravilhoso jazz, e viu ali a resposta para suas dúvidas. Esta música chamava-se “Cast Your Fate to the Wind”, vencedora do Grammy em 1963, e composta pelo jazzista e pianista Vince Guaraldi.

Assim deu-se o primeiro contato entre Mendelson e Guaraldi. Este mostrou imenso interesse pelo projeto, e em menos de duas semanas executou pelo telefone uma versão do que seria a belíssima música ícone de um dos desenhos animados mais criativos e famosos de todos os tempos: “Linus and Lucy”, para a série animada “Charlie Brown and Snoopy Show”.

O estilo lúdico, direto, e ao mesmo tempo emotivo de Vince deram ao desenho uma profundidade e riqueza únicas, gerando um trabalho aclamado, regravado e homenageado por diversos jazzistas e músicos do mundo todo.

Vince Guaraldi nasceu em 17 de Julho de 1928, em São Francisco – Califórnia. Apesar de atuar como pianista desde cedo, sua primeira gravação foi lançada apenas em 1953, quando então já tinha tocado e composto com todos os grandes nomes do jazz da época.

Vince morreu extremamente jovem, aos 47 anos, num repentino ataque cardíaco, um dia após concluir seu trabalho para o especial “É o Dia da Árvore, Charlie Brown”.

As músicas apresentadas são: “Linus and Lucy”, o tema mais famoso da série; e “Greensleeves”, a música clássica em uma versão cuja sensibilidade chega a tirar o fôlego (esta precisou ser disponibilizada no 4shared).

- Linus and Lucy:

quarta-feira, 2 de abril de 2008

#12 - "Hey, Blondie!"


Ennio Morricone é uma lenda viva na música para cinema, nascido em Roma, a 10 de Novembro de 1928.

Compôs trilhas para mais de 400 filmes, e embora tenha sido indicado diversas vezes ao Oscar, nunca levou a estatueta. Em 2007 recebeu, então, o prêmio honorário da academia por sua carreira.

É autor de inúmeros temas antológicos, mas talvez sua maior marca no cinema tenha sido a de causar uma revolução extrema e definitiva nos “westerns”. Sua trilha para o filme “The Good, The Bad and The Ugly” (no Brasil: “Três Homens em Conflito”), talvez o western mais genial já feito, foi tão inusitada e ousada que virou a marca predominante do gênero.

Trago então um dos temas deste filme. A música chama-se “The Ecstasy of Gold”, e marca uma cena frenética, onde um dos personagens corre por entre centenas de covas, a procura de uma delas onde acredita estar uma fortuna em ouro.

A outra composição sugerida é um dos temas românticos mais bonitos e conhecidos, feito para um filme que é marco na história da sétima arte: “Cinema Paradiso”. O que muitos não sabem é que a música “Love Theme” é na verdade de autoria do filho de Ennio Morricone, Andrea. A cena que pode-se assistir no link é antológica, e mostra o protagonista assistindo a uma montagem com diversos takes de beijos e cenas românticas de filmes antigos. Já é belo demais por si mesmo, mas quem ainda não assistiu ao filme certamente não perceberá a profundidade de significado que ela tem... Portanto, vão atrás!

Links:

The Ecstasy of Gold

segunda-feira, 31 de março de 2008

#8 - Andando no Ar


Trago agora a canção “Walking In The Air”, de autoria total (letra e música) do compositor e maestro inglês Howard Blake, conhecido por seu trabalho em “Flash Gordon” e “Os Duelistas”.

A música em questão foi feita como parte da trilha sonora do belíssimo curta animado “The Snowman” (“O Homem de Neve”), produzido em 1982, baseado no livro honônimo de Raymond Briggs.

O desenho é praticamente uma obra-prima, sem nenhum diálogo (apenas música e sons) e feito ao estilo das gravuras clássicas. A estória conta de um menino que, na época de Natal, fica fascinado pela quantidade de neve que encontra numa manhã, e cria um boneco pelo qual passa a sentir um imenso fascínio. Durante o resto do dia, não consegue tirar os olhos dele, e no meio da noite, saindo para observá-lo, percebe estranhas luzes, e de repente o boneco ganha vida.

A partir daí, os dois aprontam de tudo madrugada afora, até o momento chave onde o homem de neve pega impulso e leva o menino para voar, ao som de “Walking In The Air”, único momento em que há palavras no filme.

Tamanha é a beleza da canção que até os dias de hoje é gravada e regravada por artistas em todo o mundo, sendo utilizada especialmente em coletâneas de Natal.

O desenho foi premiado com o BAFTA e indicado ao Oscar.
Link:

Bom proveito!


LETRA:

“We're walking in the air
We're floating in the moonlit sky
The people far below are sleeping as we fly
We're holding very tight
I'm riding in the midnight blue
I'm finding I can fly so high above with you
Far across the world
The villages go by like trees
The rivers and the hills
The forest and the streams
Children gaze open mouth
Taken by surprise
Nobody down below believes their eyes
We're surfing in the air
We're swimming in the frozen sky
We're drifting over icy
mountains floating by
Suddenly swooping low on an ocean deep
Arousing of a mighty monster from its sleep
We're walking in the air
We're dancing in the midnight sky
And everyone who sees us greets us as we fly”